Sobre a Simulação de Dados
Esta ferramenta gera dados sintéticos de experimentos multi-ambiente usando um modelo linear aditivo. Os parâmetros reais (efeitos genéticos, ambientais e de interação) são conhecidos — isso permite validar se os métodos estatísticos nas abas seguintes recuperam corretamente esses valores.
Modelo de geração dos dados
$$y_{ijk} = \mu + G_i + E_j + GE_{ij} + e_{ijk}$$ onde:
- \(y_{ijk}\) — produtividade observada do genótipo \(i\) no ambiente \(j\), repetição \(k\)
- \(\mu\) — média geral do experimento
- \(G_i \sim N(0, \sigma^2_g)\) — efeito aleatório do genótipo \(i\)
- \(E_j \sim N(0, \sigma^2_a)\) — efeito aleatório do ambiente \(j\)
- \(GE_{ij} \sim N(0, \sigma^2_{ge})\) — efeito aleatório da interação genótipo × ambiente
- \(e_{ijk} \sim N(0, \sigma^2_e)\) — erro residual (ruído experimental)
Herdabilidade
A herdabilidade (\(H^2\)) indica a proporção da variação fenotípica atribuível a diferenças genéticas. Valores próximos de 1 indicam que o ambiente influencia pouco — os genótipos ranqueiam de forma consistente. Valores próximos de 0 indicam que o ambiente domina — o ranking varia muito.
$$H^2 = \frac{\sigma^2_g}{\sigma^2_g + \frac{\sigma^2_{ge}}{n_a} + \frac{\sigma^2_e}{n_a \cdot n_r}}$$ \(n_a\) = número de ambientes, \(n_r\) = número de repetições
Referência: Bates et al. (2015). Fitting Linear Mixed-Effects Models Using lme4. JSS, 67(1), 1-48.
Herdabilidade simulada (H²)
Total de observações
Genótipos × Ambientes
Estrutura do Experimento
Componentes de Variação (Desvios Padrão, kg/ha)
Controle
Sobre os Testes de Homogeneidade
A análise de variância conjunta e os modelos mistos (REML/BLUP) pressupõem que as variâncias residuais dos diferentes ambientes sejam homogêneas. Se esse pressuposto não for atendido, as estimativas podem ser enviesadas e os testes de hipótese perdem validade — independentemente do método utilizado.
A diferença entre ANOVA clássica e modelo misto: a ANOVA clássica exige dados balanceados e homogeneidade de variâncias. O modelo misto lida naturalmente com dados desbalanceados, mas também pressupõe homogeneidade residual. A vantagem do modelo misto está no tratamento do desbalanceamento, não da heterogeneidade.
Diagnóstico, não bloqueio:
os resultados abaixo são informativos. Se houver heterogeneidade, o modelo misto
ainda pode ser executado, mas o usuário deve estar ciente da limitação.
Em versões futuras, implementaremos estruturas de variância heterogênea via
nlme::lme()
para acomodar esse cenário.
Teste de Bartlett
$$K^2 = \frac{(N - a) \ln s_p^2 - \sum_{j=1}^{a} (n_j - 1) \ln s_j^2}{1 + \frac{1}{3(a-1)} \left(\sum_{j=1}^{a} \frac{1}{n_j - 1} - \frac{1}{N - a}\right)}$$ O teste de Bartlett compara as variâncias de todos os ambientes simultaneamente. É sensível a desvios de normalidade — se os dados não forem normais, o resultado pode ser enganoso. Por isso aplicamos também o teste F-max como complemento.
Teste F-max (Hartley)
$$F_{\max} = \frac{s^2_{\max}}{s^2_{\min}}$$ O F-max é a razão entre a maior e a menor variância amostral. É um teste simples e intuitivo, menos sensível a não-normalidade que o Bartlett. O limite de Pimentel-Gomes (< 7) é um critério prático amplamente utilizado em experimentação agrícola.
Interpretação
Importante:
o modelo misto (REML/BLUP) também pressupõe homogeneidade de variâncias.
A heterogeneidade não impede a execução, mas o usuário deve interpretar os resultados
com cautela. Futuramente, implementaremos suporte a variâncias heterogêneas via
nlme::lme()
com
weights = varIdent()
.
Referência: Pimentel-Gomes, F. (1990). Curso de Estatística Experimental. 13ª ed.
Controle
Sobre o Modelo Misto (REML/BLUP)
O modelo linear misto é a abordagem padrão para análise de experimentos multi-ambiente com dados desbalanceados. Diferentemente da ANOVA clássica, ele não exige que todos os genótipos estejam presentes em todos os ambientes.
Componentes do modelo
$$y_{ijk} = \mu + G_i + E_j + GE_{ij} + e_{ijk}$$ Neste modelo:
- \(G_i \sim N(0, \sigma^2_g)\) — efeito aleatório de genótipo. O BLUP de cada genótipo é sua predição.
- \(E_j \sim N(0, \sigma^2_a)\) — efeito aleatório de ambiente.
- \(GE_{ij} \sim N(0, \sigma^2_{ge})\) — interação genótipo × ambiente.
- \(e_{ijk} \sim N(0, \sigma^2_e)\) — erro residual.
REML (Máxima Verossimilhança Restrita)
O REML estima os componentes de variância sem o viés da máxima verossimilhança tradicional. É o método padrão em melhoramento genético porque produz estimativas não-viesadas das variâncias, essenciais para o cálculo correto da herdabilidade.
BLUP (Melhor Preditor Linear Não-Viesado)
O BLUP é uma predição do valor genotípico — não é a média bruta observada. Ele aplica um shrinkage: genótipos com poucas observações são puxados em direção à média geral, refletindo a incerteza da estimativa. Quanto mais dados um genótipo possui, mais seu BLUP se aproxima da sua média observada.
Desbalanceamento
Este modelo lida naturalmente com dados desbalanceados — o REML estima componentes de variância corretamente mesmo com combinações genótipo×ambiente ausentes. A validade das estimativas depende mais da conectividade entre ambientes (verificada na aba Simulação) do que do balanceamento.
Referência: Bates, D. et al. (2015). Fitting Linear Mixed-Effects Models Using lme4. JSS, 67(1), 1-48.
Controle
Sobre BLUPs e Estabilidade
O BLUP (Melhor Preditor Linear Não-Viesado) é a estimativa do valor genotípico de cada genótipo, obtida a partir do modelo misto ajustado na aba anterior. O BLUP não é a média bruta observada — ele incorpora um ajuste estatístico importante.
Shrinkage (contração)
Genótipos com poucas observações têm seus BLUPs puxados em direção à média geral. Isso reflete a incerteza: se temos poucos dados sobre um genótipo, a estimativa mais segura é que ele tem desempenho próximo da média, até que mais dados estejam disponíveis. O erro padrão (SE) na tabela indica essa incerteza — quanto menor o SE, mais confiável é a estimativa daquele genótipo.
Erro Padrão (SE)
$$SE_i = \sqrt{\frac{\sigma^2_e}{n_i}}$$ onde \(\sigma^2_e\) é a variância residual estimada pelo modelo e \(n_i\) é o número total de observações do genótipo \(i\). Mais observações = menor SE = maior confiabilidade.
Como interpretar
- Rank: ordenação por BLUP — o genótipo com maior BLUP é o de melhor desempenho predito.
- SE: erro padrão da estimativa. Genótipos com SE elevado têm estimativas menos precisas.
- Barras de erro: ± 2 × SE representa um intervalo de confiança aproximado de 95%.